CLAUDIO SCHAPOCHNIK_Bellinzona/SUÍÇA*
Apenas 18 minutos de trem, da empresa Treni Regionali Ticino Lombardia (Tilo), separam Lugano de Bellinzona. Essa é outra cidade fantástica e imperdível do Cantão (Estado) de Ticino, no Sul da Suíça e território de predominância do idioma italiano. Motivo: os três castelos (Castel Grande, Montebello e Sasso Corbaro) e as muralhas medievais bem conservadas que lá foram erguidas na época em que o território pertencia ao Ducado de Milão.



O ducado foi um Estado que existiu de 1395 a 1796 no Norte da atual Itália e integrou o Sacro Império Romano-Germânico.
Entre os governantes do ducado estavam proeminentes famílias nobres, como os Sforza e os Visconti durante o período do Renascimento. Em relação à área do território, o atual Cantão de Ticino fez parte desse Estado.
Todo esse complexo castelar-defensivo, chamado de Fortezza Bellinzona, é chancelado desde 2000 pela Unesco como Patrimônio Mundial da Humanidade. Acho que não são necessários mais argumentos para visitar Bellinzona.

Estive por algumas horas na cidade com minha esposa, Mirella, em agosto de 2023. Foi uma visita outdoor super proveitosa num domingo de tempo excelente, com céu azul, sol e calor.
Domingo, na Suíça de um modo geral, é dia de comércio fechado. Restaurantes, cafés, bares, mercadinhos e lojas de suvenires ficam abertos. Só. Em Bellinzona, foi assim também.


Após os 18 minutos a bordo do Tilo, cheguei à Estação Ferroviária de Bellinzona. E de lá, muito fácil, é só seguir as placas em direção ao Castel Grande – também vi outra forma de escrevê-lo, Castelgrande.





Até chegar lá, andei cerca de um quilômetro. Numa praça está a singular e interessante entrada para o castelo, que avança na passagem por uma rocha esculpida, com o uso de concreto e aço, até o elevador.
Essa “intervenção brutalista”, conforme define Dina Stouhi sobre a entrada, em texto publicado na Arch Daily em 13/1/2021, com tradução de Romullo Baratto, é resultado de uma ampla reforma concluída em 1991, com projeto do arquiteto suíço Aurelio Galfetti (1936-2021).
Lá em cima, depois de sair do elevador, andei por um belo caminho, calçado de pedras entre duas muralhas. Ao final, a bilheteria e o acesso ao local.



O Castel Grande, conhecido ainda pelos nomes de Castello di San Michele e Burg Uri, foi erguido numa colina onde a presença humana existe há 6 mil anos. A edificação começou a ser construída no século 13 e teve uma parte erguida durante o domínio do Ducado de Milão (1473/86). Pertence ao período medieval tardio (séculos 13 ao 15).
No Castel Grande, andei na muralha entre as torres Branca e Negra, respectivamente, de 27 metros e 28 metros de altura; e caminhei por uma muralha que avança sobre Bellinzona – a ida por baixo, ou seja, um túnel, e a volta por cima, aberta, de onde há uma abrangente vista para a cidade.





Após “conquistar” o Castel Grande, fui para uma linda praça arborizada. Lá, num banco debaixo de duas enormes árvores, portanto numa agradável sombra que amenizou o forte calor, fiz um lanche com a Mirella. No cardápio havia sanduíches de queijo e mexericas, com água fresca para beber da fonte próxima.



Após o lanche e o relaxante período naquela deliciosa sombra, as forças novamente apareceram para a “conquista” do segundo e último castelo da visita a Bellinzona: o de Montebello, que foi construído durante os séculos 13 e 14.
Para ir até lá, andei pelo Centro, bem plano, até ver as placas indicativas ao Montebello e começar uma subida longa e, em vários trechos, íngreme. A edificação fica na colina de mesmo nome do castelo, a 90 metros acima do nível da cidade.
Somado ao sol forte, cheguei na entrada do castelo suado, bastante cansado e com a respiração ofegante – decorrente de meu estado de sobrepeso.


Nas áreas fechadas do belo castelo, onde o ambiente estava agradavelmente bem fresco em relação ao exterior, graças ao possante ar condicionado, me demorei vendo as exposições e explicações. Estava bom demais.
Montebello também foi batizado posteriormente de Schwyz e San Martino.
A construção original data do século 13 e, a princípio, era para uso residencial. Apenas no século seguinte, com a área sob domínio do Ducado de Milão, que o castelo passou a ser utilizado militarmente.

Achei Montebello lindíssimo. Com cara e jeito de castelo mesmo. Talvez por se encaixar na imagem que tenho, muitas vezes, influenciada não sei como (desenho animado, filme, literatura etc), de que uma obra desse porte tem de ter fosso e ponte levadiça de madeira – como de fato estão por lá.
Essa entrada de “castelo mesmo”, a principal, dá para uma praça e rua. Não foi a mesma que entrei e saí.
Valeu demais a visita.



O terceiro castelo de Bellinzona, o de Sasso Corbaro, recebe o nome carinhoso dos habitantes de Castello di Cima. Motivo é o mais alto, situado no topo de um monte a 230 metros em relação ao nível da cidade.
O Ducado de Milão ordenou a construção em 1479, que levou apenas seis meses.

O castelo é utilizado para exposições temporárias.
Cheguei a ver o Sasso Corbato quando subia para o Castello di Montebello. Mas o cansaço falou mais alto, e de três, conheci dois. Então estava tudo bem. Assim retornei para Lugano.
Caso tenha pouco tempo e/ou seu preparo físico não esteja legal, sugiro ir apenas ao Castel Grande.

Adorei Bellinzona e os castelos – bem preservados, limpos e seguros. Super recomendo.
SERVIÇO:
Turismo da Suíça
Turismo de Bellinzona e Valli
Ferrovia Suíça
*O QUE GOSTOSO! viajou com apoio do Swizterland Tourism e da SBB/CFF/FFS (Ferrovia Suíça)
















