por CLAUDIO SCHAPOCHNIK
Pratos com peixes e frutos do mar, quatro tipos de queijo de vaca e bebidas como calvados e sidra – todos com selo de Denominação de Origem Controlada. Tudo isso e muito mais pode ser saboreado numa viagem à Normandia, localizada no Norte da França. Região conhecida e lembrada pelo Dia D – o desembarque das forças Aliadas nas praias locais no dia 6 de junho de 1944, que marcou o início da derrota do nazismo na Frente Ocidental durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) – quer mais turistas brasileiros por lá.


Organizado por Christiane Chabes, diretora da empresa de representação turística CC Turismo, o QUE GOSTOSO! foi convidado para um almoço com profissionais de mídia, na quinta-feira (25) em São Paulo, com o chefe de Promoção e Distribuição do Escritório de Turismo de Deauville, Stéphane Langevin, e com o diretor do Polo de Desenvolvimento Turístico de Le Havre e Étretat, Aloïs Hoch.

Durante a refeição, no ótimo restaurante Santinho, Langevin, Hoch e Christiane abordaram o turismo, a cultura, as atividades, os atrativos, a oferta hoteleira e a gastronomia das cidades normandas de Deauville, Le Havre, Étretat e Mont Saint-Michel.


Anos atrás visitei, visitei todos esses municípios e posso assegurar que valem demais serem visitadas. É uma França diferente e, com a facilidade, de estar próximo à capital, Paris – a viagem entre o aeroporto Roissy-Charles-de-Gaulle e Le Havre leva 2h15 (carro) ou 3h (trem).
Os três profissionais apresentaram um roteiro de sete dias na região, e busquei sobretudo as dicas relacionadas ao comer e beber. Sim, há muito o que visitar e provar entre um passeio e outro.
COMIDAS E BEBIDAS: O QUE PROVAR
Banhada pelo Canal da Mancha – que separa a França do Reino Unido –, a Normandia, portanto, tem nos peixes e frutos do mar uma parte considerável da dieta local.
“Vieira, arenque (hareng, em francês; fala-se harran), mariscos variados, sardinha e linguado são muito apreciados e presentes nas receitas”, indicou Hoch.

A Normandia é uma região de enorme produção de maçã e leite de vaca. Portanto, há muitos alimentos derivados destes dois produtos e, por conseguinte, têm selos de Denominação de Origem Controlada.
Em relação à maçã, produtores usam a fruta para fazer duas bebidas muito tradicionais da Normandia: a sidra e o calvados (fala-se calvadô).
“O calvados é um destilado e cuja graduação alcoólica chega a 40 graus”, explicou Langevin. A sidra é um fermentado e de baixo teor alcoólico e tem preços bem camaradas nos mercados – excelente para trazer como lembrança ao Brasil . Ambos estão bastante presentes nas mesas normandas.
A região não tem tradição de produção de vinhos. Claro, os normandos bebem vinhos, mas de outras regiões francesas ou de outros países.


Há ainda o licor Bénédictine, produzido com 27 tipos de plantas e especiarias num castelo na cidade de Fécamp. A receita é de um monge do início do século 16.
Em relação ao leite de vaca, este é o ingrediente de quatro tipos de queijo com Denominação de Origem Controlada da Normandia: Camembert de Normandie, Le Neufchâtel, Le Livarot e Pont-L´Évêque.
Talvez o Camembert de Normandie seja o mais conhecido no Brasil. Os quatro queijos estão presentes nos cafés da manhã nos hotéis e no pós-refeição de alguns restaurantes.

“Dá para visitar produtores de queijo, sidra e calvados e fazer degustações nas propriedades”, destacou Langevin.
O site Rota dos Queijos da Normandia tem, entre outras muitas informações interessantes, dicas de queijarias, cidades, produtores e restaurantes abertas ao turismo. Consulte antes de viajar e se programe.
Em relação às comidas, Langevin, Hoch e Christiane deram uma longa lista, onde entram, por exemplo: tarte aux pommes (torta de maçã); frango flambado com calvados; tarte tatin com creme fresco; teurgoule (arroz doce de forno); mariscos com batata frita; e, unicamente no Mont-Saint-Michel, o famoso omelete, frito no forno à lenha, e as bolachinhas e os caramelos da marca La Mère Poulard, e o cordeiro pré-salgado – pois o animal come as algas marinhas na maré baixa; somente com reserva nos restaurantes que o servem.


AS CIDADES
Deauville foi planejada e construída de acordo com a imaginação do meio irmão de Napoleão 3° (1808-1873), o Duque de Morny (1811-1865). Ele pensou a cidade na linda costa normanda no verão de 1858. Queria erguer o “Reino de Elegância” próximo a Paris – a distância é de cerca de 200 quilômetros.

De acordo com o material turístico de Deauville, a cidade foi erguida em quatro anos, com “magníficas vilas normandas protegidas, o hipódromo e a estrada de ferro”. Hoje o território de Deauville (inDeauville) conta com 11 comunidades à beira-mar e no campo.


Ainda em relação à gastronomia, um dos programas interessantes para o turista gastronômico é fazer um curso express com os chefs de cozinha dos dois restaurantes estrelados no Guia Michelin na charmosa Deauville. As duas casas são Maximin Hellio e L´Essentiel Deauville, ambas têm uma estrela cada.
Segundo destino mais visitado da França após Paris, o imperdível Mont-Saint-Michel atrai pela abadia que começou a erguida na segunda metade do século 10 pelos beneditinos numa pequena ilha situada na foz do rio Couesnon.
Quando a maré está baixa, a ilha fica unida ao continente. Antes de se chegar à abadia, há casas, hotéis, lojas e restaurantes graciosos.

Segundo maior porto da França e situado na foz do rio Sena – sim, o mesmo que cruza Paris –, a cidade de Le Havre tem praticamente a mesma idade do Brasil e foi devastada na Segunda Guerra Mundial e depois reconstruída. O centro é Patrimônio Mundial da Unesco.
Vale a pena visitar por lá o Museu André Malraux, segundo mais importante em arte impressionista do país, e a interessante, do ponto de vista arquitetônico, igreja de São José de 1957. O templo católico possui uma torre com 120 metros de altura.
“Em Le Havre come-se muito bem com valores superinteressantes”, assegurou Cristiane.



A apenas 45 minutos de carro de Le Havre, chega-se à Étretat, uma linda e charmosa cidadezinha. Os atrativos por lá são dominados pela belíssima natureza, como a praia de pedrinhas, altíssimos paredões e esculturas de pedra erodidas pelo vento e o mar. Paisagens retratadas por grandes artistas como, por exemplo, Claude Monet (1840-1926).


Portanto, vale demais visitar a Normandia e conhecer Deauville, Le Havre, Étretat e Mont Saint-Michel. Super recomendo.
A região recebe este nome pelo fato de, no século 9, ter sido invadida pelo povo viking – originário da Escandinávia. Normandia deriva da palavra latina nortmanni – homens do Norte.
SERVIÇO:
Turismo de Le Havre e Étretat
Turismo de Deauville
Turismo do Mont-Saint-Michel
Grupo La Mère Poulard
CC Turismo
















