por CLAUDIO SCHAPOCHNIK_Salto de Pirapora/SP*
Na entrada do (enorme) restaurante Ranchinho do Turquinho, em Salto de Pirapora – distante cerca de 120 quilômetros de São Paulo –, há uma placa de madeira envernizada.
Na superfície, em letras na cor branca, há duas frases curtas que sintetizam tudo o que está por trás do dono e da ideia da casa.
“Nunca foi sorte. Sempre foi Deus.”
É dessa forma que pensa o fundador e proprietário do Ranchinho do Turquinho, Rafael Abdalla.


Abdalla é turco otomano – daí o apelido – por descendência dos avós e mineiríssimo de Alpinópolis. A cidade dista 349 quilômetros de Belo Horizonte, na altura da divisa com a parte Norte do Estado de São Paulo onde ficam Franca e Ribeirão Preto.
Os antepassados de Abdalla são originários de territórios do Império Turco Otomano (1299-1922) na área do Levante – desde 1943 o Líbano e à partir de 1948 o Estado de Israel.
“Somos árabes-cristãos, e temos ainda parentes que vivem no Norte de Israel”, afirmou ele.


“Ainda que eu saiba fazer cozinhar, como alguns pratos do Oriente Médio – arroz com lentilha –, nunca pensei em ter um restaurante”, disse Abdalla, sentado ao meu lado na mesa, um pessoa bastante culta e de fala baixa.
“O restaurante [o Ranchinho do Turquinho] é obra de Deus”, completa ele, bastante emocionado.
Em relação ao cardápio, Abdalla adotou – e com um baita de um sucesso – a culinária da roça. Essa é a “escola” que guia os ingredientes, os preparos, o tempero e as receitas que encanta milhares – sim, milhares – de clientes todas as semanas.



O Ranchinho do Turquinho integra a Região Turística Histórias e Aventuras da Rota Gastronômica Histórias e Aventuras, Veredas e Mananciais.
Essa, a rota número 12, faz parte do maior programa de valorização da gastronomia paulista – o Sabor de São Paulo. Uma iniciativa do Governo do Estado de São Paulo por meio da Secretaria de Turismo e Viagens (Setur-SP), em parceria com o Mundo Mesa – ligado à revista Prazeres da Mesa – e o Senac-SP.
AMBIENTE RÚSTICO
O Ranchinho do Turquinho foi aberto no dia 9 de abril de 2015, portanto celebrou uma década este ano.
“O restaurante começou pequeno e fui ampliando”, recordou Abdalla. “O primeiro fogão à lenha construí com tijolos de demolição”, completou ele.
Atualmente, o Ranchinho do Turquinho tem capacidade para 1.500 pessoas sentadas e outros 16 fogões à lenha.
O recorde de clientes em um só dia ocorreu no Dia das Mães de 2022. “Recebemos 3.160 pessoas”, garantiu Abdalla.
A casa é um galpão bastante amplo, basicamente feito de madeira, sem paredes, piso de azulejos quebrados e cobertura de telha. Ou seja, rústico e arejado à décima potência. Com certeza, Abdalla deve economizar uma boa soma na conta de energia elétrica…



Nesse espaço, ele e sua equipe servem duas refeições: o Café Colonial, às sextas, aos sábados, domingos e feriados entre 7h e 10h – com permanência até 10h30; e o almoço, diariamente, de 11h às 15h.
Em ambas as refeições, o sistema é o mesmo: self-service à vontade por um valor único – bebidas à parte.
Por falar em bebida, Abdalla é taxativo: “não vendo bebida alcoólica”. Para beber, há água, sucos, refrigerantes.


Provei o almoço. Fui com o grupo do Sabor de São Paulo no final do mês de julho de 2025.
Para se ter uma ideia, naquele mês o bufê do almoço custava R$ 38 nos dias de semana e R$ 48 nos fins de semana e feriados – sempre por pessoa.
A EXPERIÊNCIA
Preparar comida saborosa para uma multidão não é nem um pouco uma tarefa fácil. No Ranchinho do Turquinho, a “orquestra” liderada por Rafael Abdalla dá conta.
Além de muitos funcionários, toda a família dele trabalha no restaurante também: a esposa, Cristina de Fátima; as filhas, Rafaela, Larissa e Melissa; e os filhos, William e Rafael Júnior.

Preparados na cozinha central, todos os pratos são levados para os fogões à lenha, onde as travessas, os discos de arado e as cumbucas ficam dispostas lado a lado. Os itens de salada ficam num outro bufê.
Por alto, contei mais de 30 opções entre saladas e opções quentes.

Na hora de montar meu prato, me servi de arroz, feijão, torresmo, ovo frito, vinagrete e bisteca bovina de contra-filé. Senti falta de um molho caseiro de pimenta daqueles, de preferência, bem ardidos. Para beber, suco natural.
De um modo geral, a comida estava super saborosa e temperada. Que gostooooooso!
Entre outras receitas, o espaguete ao sugo e o escondidinho chamaram minha atenção. Mas fiquei fiel às minhas primeiras escolhas de tão excelentes que estavam.
Um dos carros-chefe do bufê é a bisteca bovina de contra-filé. De fato, é um negócio de bom. Estava super bem temperada e frita com cebola e tinha espessura fina. Comi três e me segurei para não pegar mais. Ótima. Que gostooooooso!
O arroz estava quente, soltinho. O feijão – chamado de carioca, carioquinha, branco etc – estava perto da perfeição de tão saboroso: lindo de se ver, quente, cozido na medida certa, caldoso, com as folhas de louro presentes e um tempero fascinante. Que gostooooooso!

O vinagrete, muito bom; os torresmos, sequinhos e crocantes; e o “zoiudo”, o ovo frito, estavam bastante bons. Que gostooooooso!
Uma refeição simples, raiz, de sustança e que me deixou profundamente satisfeito e feliz. Que gostooooooso!
Depois fui pegar um café coado num bule de alumínio, à beira de outro fogão à lenha, para encerrar o almoço.


Portanto, recomendo demais almoçar no Ranchinho do Turquinho. Vida longa ao estabelecimento.
*O QUE GOSTOSO! viajou a convite da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP), em parceria com o Mundo Mesa e Senac-SP
SERVIÇO:
Ranchinho do Turquinho
Rodovia João Leme dos Santos, Km 116, Salto de Pirapora/SP
Whatsapp: (15) 99769-6472
Café Colonial: sexta, sábado, domingo e feriado, 7h às 10h, com permanência até 10h30
Almoço: diariamente, de 11h às 15h
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