CLAUDIO SCHAPOCHNIK_Lucerna/SUÍÇA*
Situada às margens do rio Reuss e a beira do Lago dos Quatro Cantões ou Lago de Lucerna, Lucerna (Luzern, no original em alemão) é uma cidade de cerca de 40 mil habitantes, bem verde e com um pujante comércio. Capital do Cantão – equivalente ao Estado no Brasil – de mesmo nome, o município fundado em 1178 e bastante seguro convida a curti-lo a pé sem pressa.


Estive em Lucerna, na região de idioma alemão, com minha esposa, Mirella, por alguns dias em agosto de 2023. Antes, estava em Zurique. De trem, a viagem entre as duas cidades durou menos de uma hora.
A Estação Ferroviária de Lucerna (Bahnhof Luzern), um verdadeiro shopping center, com várias lojas e mercados, é original de 1856. Foi ampliada em 1896 e sofreu um grande incêndio em 1971. A nova estação – o atual prédio – data de 1991.




Na estação, perguntei, em alemão, a uma pessoa de um estande de vendas com o pouco que sei do idioma de Goethe onde fica o Centro de Informação Turística. Fiquei bastante feliz: a pessoa entendeu e compreendi a resposta.
Na sala do órgão oficial de turismo, uma moça muito educada me ajudou informando onde ficava o hotel – o Ibis Budget, o mais em conta na icônica família de marcas da rede hoteleira francesa Accor, a Ibis.
Da Bahnhof Luzern, andei pouco mais de um quilômetro. No caminho, um viaduto que passava por cima dos trilhos da Ferrovia Suíça. Ah, se o Brasil fosse como a Suíça em termos de rede ferroviária… Pulverizada, eficiente, pontual, limpa.


Cheguei direitinho ao hotel, cujo quarto é bem pequeno, e fiz o check-in. Bem localizado: numa rua que passa ônibus de/para a estação ferroviária e ao lado de um supermercado. Era tudo o que precisava: transporte e abastecimento para o café da manhã e jantar no quarto.
No check-in, além de ser bem atendido por uma recepcionista portuguesa – ou de outra nacionalidade e que sabia português fluentemente –, portanto no nosso idioma, ela imprimiu duas páginas e explicou o que era. Trata-se do Cartão do Visitante. Quase tive um troço – pura ironia.


“É um benefício que a cidade dá ao turista durante sua estada aqui conosco”, disse a recepcionista. “Inclui transporte (ônibus e trens dentro da zona dez) e acesso à internet grátis e acesso a descontos”, emendou ela.
“Sempre ande com o Cartão do Visitante. Caso estiver no ônibus ou trem e o fiscal, que aparece de forma aleatória, pedir algum comprovante ao senhor, apenas mostre a folha. Com o QR Code, que ele vai escanear e saber que está tudo ok. Caso contrário… Uma multa será cobrada”, explicou a profissional do hotel.
Usei e abusei dos benefícios. Ajudou muito no meu orçamento na cidade. Sim, o Swiss Travel Pass, que recebi do Swizterland Tourism, além de usá-lo nos trens, tem benefícios semelhantes ao cartão de Lucerna e, sem dúvida, também ajudou demais na viagem.
Fantástico, sensacional esse incentivo da Prefeitura de Lucerna ao turista. Que gostooooooso!



Agora que contei sobre o Cartão do Visitante, vamos “bater perna”, turistar ao ar livre em Lucerna.
Uma parte dos atrativos fica perto da Luzern Bahnhof. Portanto, tudo dá para fazer caminhando.
Para ficar mais simples, divido as atrações antes e depois de cruzar a movimentada Ponte do Lago (Seebrücke), por onde passam carros, ônibus e bondes – sempre tendo a Estação Ferroviária como referência. A via passa por cima do rio Reuss, justamente quando o curso deságua no Lago Lucerna.
Antes da Seebrücke, na área vizinha ao terminal de ônibus, vale a pena sentar-se em um dos bancos à beira do Lago Lucerna e observar o mesmo, os barcos e as montanhas ao redor.
Nesse lugar, há alguns píeres de onde partem barcos para passeios e como transporte regular para outras cidades. É o quarto maior lago suíço e tem 114 km² de extensão.


Indo em direção à Ponte do Lago, vire à esquerda e ande junto ao rio Reuss para conhecer três cartões-postais da cidade, ambos com entrada grátis: a Torre de Água (Wasserturm), a Ponte da Capela (Kapellbrücke) e a Ponte Spreuer (Spreuerbrücke).
A Ponte da Capela rende fotos maravilhosas. Lugar imperdível.
Com 650 anos, a ponte foi erguida como parte da infraestrutura da cidade fortificada unindo duas margens do rio Reuss. De madeira, sofreu um grande incêndio em 18 de agosto de 1993 e causou uma comoção gigante na cidade e no país. Só sobraram as duas cabeças e a Torre de Água.



A ponte, em 1993, tinha ainda 147 dos 158 painéis originais com cenas cristãs e da história da Suíça pintados por Renward Cysat (1545–1614). “Cento e dez desses painéis foram diretamente afetados pelo incêndio que destruiu a ponte, dos quais cerca de dois terços viraram fumaça ou sofreram graves danos”, diz o site do Turismo de Lucerna.
Em 14 de abril de 1994, a Ponte da Capela foi reaberta.
A Torre de Água, mais velha que a ponte, foi construída entre 1290 e 1300. Atendeu a vários propósitos – como posto de vigia, arquivo e prisão. Possui 39 metros de circunferência e 34,5 metros de altura.


Uma terceira ponte une as duas margens do rio Reuss. É a Ponte Spreuer, de 1408, também de madeira.
Assim como na Ponte da Capela, a Spreuer tem painéis pintados, desta vez por Caspar Meglinger, entre 1625 e 1635. Ele trabalhou o tema comum na Idade Média: a Dança da Morte.
“As imagens lembram ao espectador que a morte é onipresente e chega para todos, independentemente da situação da vida. Outra característica marcante da Ponte Spreuer é a capela nela incorporada, contendo motivos e figuras do ciclo do ano eclesiástico”, descreve o site do Turismo de Lucerna.
Por uma dessas três pontes – fui pela Seebrücke –, alcança-se à Cidade Velha (Altstadt). Aqui vale a pena se perder sem pressa, para observar o casario típico suíço, as esculturas encimadas das fontes de água potável e gratuita – aproveitando para encher as garrafas ou beber com as mãos. É um passeio delicioso também pelos vários restaurantes que há por lá.



Foi na Altstadt que jantei no ótimo restaurante e pizzaria Mamma Leone. Eu e minha esposa comemos pizza – fui na de presunto e cogumelo –, e tomei uma cerveja. A redonda estava excelente. Que gostooooooso!
Sem pedir e sem saber que há essa tradição por lá, o garçom trouxe um pote com molho de pimenta. Amo pimenta, porém achei esquisito. Geralmente só coloco azeite de oliva em cima. Provei como se come em Lucerna. Que gostooooooso! Mas a experiência ficou por lá.
Em relação ao valor, foi a pizza mais cara que comi na minha vida até então: 24,50 francos suíços. Pesou ainda por estar num lugar hiper turístico. Mas tudo ok: saciou minha fome e valeu demais. Em pensar que há pizzarias em São Paulo que chegam fácil perto desse valor – ou até o superam…



Atrás da Alstadt, a Musegg vale demais uma visita. Trata-se de outro resquício da Lucerna medieval: a sequência de nove torres de defesa e um trecho da muralha, do século 13, construídas no alto de uma montanha. Atrás dessa linha, há um parque, com árvores e uma bela vista das montanhas que cercam a cidade.
A Torre Zyt, com 31 metros de altura, é aberta ao público. Foi construída em 1442 e possui um relógio.




Ainda nesse lado de Lucerna, um pouco distante da Musegg, mas numa caminhada gostosa por uma área igualmente comercial como a Cidade Velha, fica outro cartão-postal local: o Monumento do Leão de Lucerna (Löwendenkmal). O lugar está sempre cheio de turistas.
“A obra de dez metros por seis metros foi criada em homenagem aos mil Guardas Suíços que morreram na Tomada das Tulherias, em Paris, em 1792”, diz o site do Turismo de Lucerna.
A imponente escultura é do artista dinamarquês Bertel Thorvaldsen (1770-1844) e foi inaugurada em 1821.



Nas imediações de Lucerna, o passeio outdoor continua em dois montes – o Rigi e o Pilatus. Fui visitá-los e conto na próxima reportagem – amanhã (quarta, dia 8).


Lucerna é uma graça de cidade. Gostei bastante e super recomendo. Para mais informações, consulte os sites abaixo.
SERVIÇO:
Turismo da Suíça
Turismo de Lucerna
Ferrovia Suíça
*O QUE GOSTOSO! viajou com apoio do Swizterland Tourism e da SBB/CFF/FFS (Ferrovia Suíça)
















