04/06/2026

Parque Bambuí é joia rara de Campos do Jordão

Parque Bambuí é joia rara de Campos do Jordão 12 Foto Claudio Schapochnik_Que Gostoso!

por CLAUDIO SCHAPOCHNIK_Campos do Jordão/SP*

Bastante válida e digna de aplauso a iniciativa de famílias, entidades e empresas que abrem ao público a possibilidade de visitar – pagando pelo acesso ou não – suas propriedades e seus bens e compartilhar conhecimento e experiências.

É o caso do Grupo Toriba – dono também do icônico hotel de mesmo nome –, que, desde julho de 2023, ao criar o Parque Bambuí, abriu o mesmo à visitação em Campos do Jordão, na Serra da Mantiqueira paulista e distante 180 quilômetros de São Paulo.

Visitei com minha esposa o Parque Bambuí no mês passado. Com certeza, posso afirmar que a atração, com forte apelo natural-histórico-gastronômico, tornou-se mais uma joia rara jordanense e, seguramente, de toda a Mantiqueira.

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No alto, canteiro de flores junto a um dos três lagos do Parque Bambuí e, acima, a Maria Fumaça Claudia, de 1905 e produzida nos Estados Unidos (fotos Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)
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O panorama na chegada ao parque (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)
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Imagine você sentado neste banco (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

HISTÓRIA DA PARQUE
Para entender a criação do Parque Bambuí, reproduzo abaixo, ipsis litteris, o texto do site da propriedade. Confira:

“A área hoje é ocupada pelo Parque Bambuí, era parte integrante da Grande Fazenda Toriba por volta do ano de 1936. Na época a fazenda ocupava uma área com mais de 100 alqueires cuja propriedade era do industrial e empresário Ernesto Diederichsen e sua esposa Maria Elisa Arens Diederichsen (Lili).

Com o passar dos anos, a propriedade original da Fazenda Toriba dos anos 30, foi sendo dividida em propriedades menores.

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Uma das espécies de plantas usadas no paisagismo (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)
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Um dos três lagos da propriedade (foto Mirella Usiglio/Que Gostoso!)

No início dos anos 90 a propriedade dos lagos foi adquirida pelo empresário Aisik Helcer e família constituindo a propriedade Recanto Toriba 1 e Recanto Toriba 2. Dado a sua amizade com a arquiteta e paisagista Rosa Kliass, Helcer na época a contratou para o projeto de paisagismo e a família manteve a propriedade por 32 anos como um recanto de inverno familiar cujo lazer, preservação e respeito pela natureza eram o propósito.

No ano de 2022 as propriedades Recanto Toriba 1 e 2 voltam a integrar o Grupo Toriba pelas mãos do arquiteto e empresário Aref Farkouh, dando início ao projeto de implantação do Parque Bambuí, um espaço onde o visitante possa contemplar a natureza e ter a experiência de vivenciar a Mantiqueira.”

SHOW DE MANUTENÇÃO
Da asfaltada Avenida Ernesto Diederichsen até a entrada do Parque Bambuí, ao acesso se dá por uma estrada de terra batida bem tranquila.

O parque abre-se com o estacionamento rodeado de uma linda mata com muitas e imponentes araucárias – minha árvore predileta. Bem, as araucárias e outras espécies de árvores continuam por toda propriedade.

Assim que saí do carro senti o microclima local fazer efeito: a temperatura estava amena e meu olfato sentiu aquele “cheiro de mato”. Que gostooooooso!

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Trecho da estrada que leva ao parque (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

A partir daí, uau, constatei que manutenção é levada bastante a sério pelo Grupo Toriba. O paisagismo, as instalações, a Maria Fumaça Claudia, de fabricação estadunidense original de 1920 – uma senhora de 105 anos –, o restaurante Casa Bambuí, liderado pela chef Anouk Migotto, as obras de arte espalhadas pela área, tudo tudo estava impecavelmente bem conservado.

A área do Bambuí soma 336 mil m², com três trilhas cercadas por árvores centenárias – que, juntas, somam, 4 mil metros de extensão – e três lagos, além de flora e fauna típicas da região.

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Ah, que beleza! (foto Mirella Usiglio/Que Gostoso!)

PAISAGISMO
Ao caminhar pelo parque, a dica é observar o talento da arquiteta e paisagista Rosa Kliass, responsável pelos jardins.

Claro que os canteiros de flores são os que mais chamam a atenção e são os lugares preferidos para fotos.

E há vários aqui e acolá pela extensão do parque. Lindo demais.

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Outro canteiro (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

O parque tem ainda uma característica semelhante a outros no Brasil e em outros países: uma mescla de jardim botânico e museu de arte contemporânea, com obras gigantes.

Em relação à similaridade com um jardim botânico, o Parque Bambuí se importou ainda com a identificação das espécies.

Conheci e achei linda a gunera (Gunnera manicata), caracterizada pelo caule com espinhos e folhas muito grandes.

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A gunera no jardim do parque (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

GAIOLAS
Sobre as obras de arte, a que mais me chamou a atenção, pelo conceito e pela obra em si, foi a Voo dos Pássaros. É de autoria do artista plástico brasileiro Eduardo Srur (1974).

A escultura foi “construída com mais de 1.000 gaiolas apreendidas pela Polícia Federal em operações contra o tráfico de animais silvestres”, explica o texto no site do parque.

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A escultura Voo de Pássaros, de Eduardo Srur (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

“Anteriormente instalada no Parque do Povo, em São Paulo, como parte da exposição Vida Livre, agora é uma intervenção permanente em Campos do Jordão”, completa o texto.

Obra impressionante. Ao admirá-la, não há como imaginar no sofrimento dos bichos que foram mantidos ali no contexto do negócio sujo e reprovável do tráfico de animais.

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Outro banco para você se imaginar no parque (foto Mirella Usiglio/Que Gostoso!)

A NOSTALGIA DO PIUÍ-PIUÍ
Desde criança fui apaixonado por tudo o que se relaciona ao trem – ferrovias, estações, vagões etc. Devo isso à influência do meu amado pai, Edison.

Com o papai, por exemplo, conheci o grande pátio ferroviário que havia na Barra Funda, bairro da Zona Oeste de São Paulo – desativado para dar lugar ao Memorial da América Latina, inaugurado pelo então governador paulista Orestes Quércia, em 1989.

Naquela visita ao pátio ferroviário na Barra Funda recordo da pergunta que ele me fazia, apontando o dedo indicador: “O trem vai daqui ou vem dali, hein Claudinho?”.

No Parque Bambuí, ouvi, com alegria, o piuí piuí, e vi a fumaça do consumo das toras de madeira que saída da Maria Fumaça Claudia, com 105 anos, operar perfeitamente.

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A recepção do parque, que também funciona como estação da Ferrovia Bambuí (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)
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A locomotiva a vapor tem 105 anos (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

A locomotiva movida a vapor foi produzida nos Estados Unidos pela Baldwin Locomotive Works, cuja fábrica ficava no Estado da Pensilvânia, e pesa cerca de 22 toneladas.

“Construída originalmente para ser utilizada em usinas de açúcar no Brasil, foi adquirida e restaurada pelos proprietários da Fazenda Mato Alto em 1982, quando passou então ao setor turístico. Em 2022 foi adquirida pelo Parque Bambuí para compor a Estrada de Ferro Bambuí”, explica o texto do site do parque.

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A Maria Fumaça tem um pequeno vagão com bancos para os turistas (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

No Bambuí, a ferrovia tem perto de 800 metros de extensão, ida e volta. Parte da recepção, a estação, e vai até o restaurante Casa Bambuí

O passeio nos bancos do vagão da Claudia ocorre diariamente. É pago a parte. Confira as saídas: a cada 60 minutos (durante a semana) e cada 30 minutos (finais de semana).

Fiz o passeio apenas na ida e valeu demais. Que gostooooooso!

REMO NO LAGO
Remar num barco de madeira no lago em frente à recepção do parque é uma das atividades inclusas no ingresso do Bambuí. Fui nessa.

Estou fora de forma fisicamente e, apesar dessa condição, consegui conduzir a embarcação num circuito de 15 minutos.

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O barco que pode ser usado para passear no lago: acesso está dentro do bilhete do parque (foto Mirella Usiglio/Que Gostoso!)

Foi um exercício físico e tanto, sobretudo com os braços. Mas “sobrevivi” e sem dor. Que gostooooooso!

No trajeto, observei a beleza natural no entorno e a mamãe pata com seus patinhos.

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Paisagismo local é lindo (foto Mirella Usiglio/Que Gostoso!)

BORA BEBER E COMER
Quando o assunto é gastronomia, o Parque Bambuí oferece dois lugares assinados por dois paulistanos bacanas, competentes e criativos.

São o Adolfo Júlio de Carvalho, dono da Gård Cerveja Artesanal, também de Campos do Jordão; e a chef de cozinha e proprietária do restaurante Donna Pinha, na vizinha cidade de Santo Antônio do Pinhal, Anouk Migotto.

Carvalho abriu no parque a primeira filial da sua cervejaria jordanense – a Gård Bambuí. Lá é possível tomar vários rótulos artesanais e comer petiscos e sanduíches. Conheço e recomendo as cervejas dele. Provei quando fui na matriz e fábrica da Gård, que fica ao lado do Parque Estadual Campos do Jordão, também conhecido como Horto Florestal da cidade. Para ler meu texto, clique aqui.

O Gård Bambuí abre às quartas, quintas, sextas e domingos, de 11h às 17h; e aos sábados, de 11h às 18h.

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Canteiro junto ao prédio onde funciona o restaurante Casa Bambuí (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

A chef Anouk toca, com maestria, o cardápio e a cozinha do Casa Bambuí. O local tem um cardápio que valoriza os ingredientes da região, os pratos são muito bem apresentados e a equipe de atendimento é nota dez de profissionalismo e simpatia.

Almocei lá e, asseguro: foi uma excepcional experiência e tanto. Mas isso contarei em dois outros textos: um sobre as entradas e outro sobre os pratos principais e as sobremesas. Aguarde.

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A mata que margeia um dos lagos do parque (foto Mirella Usiglio/Que Gostoso!)
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O editor do QUE GOSTOSO!, Claudio Schapochnik “Schapo”, posa com a Maria Fumaça do parque (foto Mirella Usiglio/Que Gostoso!)

Por tudo isso e muito mais, super recomendo o passeio no Parque Bambuí e o almoço no Casa Bambuí.

*O QUE GOSTOSO! visitou o Parque Bambuí a convite do Grupo Toriba

SERVIÇO:
Parque Bambuí
Ingresso: R$ 50, com passeios de barco e bicicleta, estacionamento e acesso às trilhas e toda a natureza do local
Passeio de Maria Fumaça: R$ 25 (ida e volta)
Horário: diariamente, 10h às 17h
www.parquebambui.com.br

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