22/04/2026

Vinhos do Alentejo criam selo de produção sustentável

Vinhos do Alentejo criam selo de produção sustentável

Os vinhos produzidos na região do Alentejo, em Portugal, têm agora uma nova certificação – a de produção sustentável. Segundo a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), organismo de direito privado e utilidade pública que certifica, controla e protege os vinhos DOC e os vinhos Regional Alentejano, trata-se de um selo inédito no setor. Será atribuído aos produtores que cumpram com requisitos de gestão de solos, água e rega, diminuição de produção de resíduos ou monitorização da fertilização, entre outros critérios para uma prática de produção e benefício ambientais.

De acordo com a CVRA, em primeiro lugar, a conquista deste selo pode aumentar as vendas dos vinhos do Alentejo entre 5% a 10%; e, em segundo lugar, a implementação de planos de monitorização de água e luz permite uma redução de custos de cerca de 20% e de 30%, respectivamente.

Esta certificação surge após cinco anos, desde a criação do Programa de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo (PSVA), pioneiro em Portugal, que conta já com 422 membros associados, representando mais de 40% da área de vinha do Alentejo. Recentemente, o PSVA foi distinguido com o título de Embaixador Europeu de Inovação Rural pelo projeto Liaison – uma Parceria Europeia de Inovação para a Produtividade Agrícola e Sustentabilidade lançada em 2012, pela Comissão Europeia, que promove os melhores projetos europeus ao nível da inovação na agricultura e silvicultura em áreas rurais.

“Produções vitivinícolas mais sustentáveis do ponto de vista ambiental, por meio da redução do uso de pesticidas, do gasto de água e eletricidade ou da proteção da biodiversidade são, sem dúvida, produções mais viáveis economicamente, uma vez que tornam todo o processo, desde a uva até à garrafa mais eficaz e eficiente”, explica o coordenador do PSVA, João Barroso.

No alto e acima, cenas da produção vitivinícola no Alentejo (fotos CVRA)

BOAS PRÁTICAS
Barroso explica que o PSVA “promove no campo a boa gestão dos solos, a utilização de organismos auxiliares, a preservação dos ecossistemas, a conservação e restauro das linhas de água, ou recurso ao modo de produção integrada e modo de produção biológica”. Ele prossegue: “Na adega, a eficiência energética e o uso racional da de água são prioritários, mas também o é a redução na produção de resíduos”.

A reciclagem e desmaterialização de processos, bem como o uso de produtos mais verdes, como o uso de rolhas, barricas e outros materiais de florestas certificadas, são igualmente incentivados. “Ao longo dos últimos anos, tem-se verificado uma maior sensibilização e atuação por parte dos produtores alentejanos em relação à gestão de água, eficiência energética e à importância da conservação da biodiversidade, mas, com esta certificação, será possível dar o salto para uma produção ainda mais amiga do ambiente e que, sendo pioneira, destaca o espírito de inovação do Alentejo no mercado interno, mas, também, internacionalmente”, explica o presidente da direção da CVRA, Francisco Mateus.

O presidente da direção da CVRA, Francisco Mateus

MERCADO
Segundo dados da CVRA, o Brasil ocupa o primeiro lugar das exportações. Em termos de volume, o País lidera o ranking das exportações (numa lista de 75 países), seguido da Suíça, de Angola, dos Estados Unidos e da Polônia. O Alentejo é a maior região de vinhos de Portugal e a que mais vende, tanto dentro quanto fora do país.

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