18/04/2026

Luberon (FR): Regras do séc. 6 conduzem abadia

Luberon (FR) Regras do séc. 6 conduzem abadia 5 Foto Claudio Schapochnik_Que Gostoso!

por CLAUDIO SCHAPOCHNIK_Gordes, Luberon/FRANÇA*

No município de Gordes, na Provence-Alpes-Côte d´Azur, situado no Sudeste da França, estão dois dos cartões-postais na região de Luberon – liberrôn, na pronúncia francesa: o panorama da própria cidade, parada “obrigatória” para fotos, e a Abbaye Notre-Dame de Sénanque – Abadia de Nossa Senhora de Senanque, em português.

A Abadia de Senanque é uma edificação do início do século 12 (1148), e foi fundada por monges cistercienses.

O “sobrenome” desses religiosos deriva de uma ordem católica fundada em 1098 na França – a Cister.

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No alto, vista parcial da abadia e, acima, visitantes na área do antigo dormitório, construído por volta de 1200, que ocupa o andar superior da abadia; possui mais de 30 metros de comprimento (fotos Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)
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Bandeira da França e localização da região, em vermelho (mapa/Google Maps)
Luberon (FR) Regras do séc. 6 conduzem abadia 2 Mapa Google Maps
Limite da cidade de Gordes, com o brasão de armas do município (mapa/Google Maps)
Luberon (FR) Regras do séc. 6 conduzem abadia 1 Foto Claudio Schapochnik_Que Gostoso!
Painel que ilustra um dia do monge na abadia (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

NORMAS, CONDUTAS
Os cistercienses adotaram um livro que nasceu para ser o (grifo meu) manual de condutas dos monges na vida monástica.

O livro recebeu um nome bastante sugestivo: Regras. Foi publicado por volta de 530, portanto no início do século 6. O autor é o monge católico italiano Bento da Núrsia (480-547), depois canonizado com o nome de São Bento.

Acima, à esq., São Bento retratado na pintura Saint Benoît rédigeant la règle, de 1926, autoria do pintor austríaco Hermann Nigg (1849-1928); e à dir., página do livro Regras, escrito em italiano (imagens/reprodução Wikipédia)

No tour guiado que fiz com uma das monitoras da abadia, em francês – com tradução da minha cicerone, a responsável pela Promoção do Destination Luberon, Bianca Ogel –, algumas das respostas tinham um modus operandi.

A monitora, uma jovem muito gentil e educada, tirava do bolso de sua blusa a edição francesa de Regras (Règres, em francês), buscava a página e lia para mim a resposta certeira direto da fonte.

Luberon (FR) Regras do séc. 6 conduzem abadia 3 Foto Claudio Schapochnik_Que Gostoso!
O exemplar do livro Regras, da minha guia, pronto para responder às perguntas, que fotografei na sala capitular, concluída em 1202, onde “a fala pode ser ouvida sem esforço, graças, em especial, às seis abóbadas nervuradas”, explica o site da abadia (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)
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Área da igreja da abadia, com a imagem de Nossa Senhora de Senanque com o menino Jesus, uma das três únicas imagens do tempo… (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)
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…a terceira imagem é esta acima, da cabeça do diabo (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

MONGES VIVEM
A visita guiada – para quem domina o francês ou compreende bem o idioma – ou com o apoio de um Histo Pad, também oferecido em português, é a melhor forma de conhecer a abadia e como é a vida dos monges. Ambas são pagas.

Sim, você leu certo. O verbo está no presente! A abadia, portanto, ainda “vive”. Motivo: cinco monges, possivelmente octogenários, vivem lá sob as regras do manual homônimo.

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Para os monges cistercienses, o claustro “simboliza a Jerusalém Celeste, o paradisius claustralis, como escreveu São Bento”, segundo descrito no site da abadia. “A única abertura do lugar é o céu, a presença divina e a iluminação.” (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)
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Sombra das colunas que separam o corredor do claustro da abadia; “Os monges devem manter silêncio em todos os momentos” (capítulo 42, da Regras)”, incluindo o claustro (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)
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Campo de lavandas com a abadia ao fundo; prédio foi saqueado e parcialmente destruído pelos partidários da Revolução Francesa em 1791 (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

Em respeito à vida desses monges e às regras, recomenda-se falar baixo e usar roupas discretas.

Passei cerca de 1h30 na abadia. Adorei e super recomendo a visita. Luberon é isso também: muita história.

A visita termina numa grande loja. Além dos suvenires, há dezenas de produtos para comer e beber com o terroir de Luberon e de outras regiões francesas. Que gostooooooso! Quel délice!

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No alto e acima, produtos alimentícios franceses à venda na loja da abadia (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)

*O QUE GOSTOSO! viajou em Luberon com apoio do Destination Luberon, representado no Brasil pela CC Hotels, e seguro de viagem Intermac

SERVIÇO:
Abbaye Notre-Dame de Sénanque
www.senanque.fr
Instagram

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