por CLAUDIO SCHAPOCHNIK
Para quem gosta bastante de pizza e come um número alto de fatias ou busca uma experiência de provar variadas coberturas, o rodízio é geralmente a melhor saída. Esta forma apresenta, ainda, geralmente, um bom valor.
Em São Paulo, sem dúvida onde se come as melhores pizzas do País, há diversos rodízios. E quando a pizza precisa ser kasher – ou kosher –, que atenda às normas da alimentação da pessoa que pratica o judaísmo?
Com esta característica e que seja um “produto” regular, ou seja, realizado pelo menos uma vez por semana, não existe – ainda que há mercado.
Havia uma casa kasher em Santa Cecília, bairro da região central da cidade, o Via Babush, que promovia rodízio de pizza semanalmente. Além das pizzas, havia alguns salgadinhos também. Igualmente tudo à vontade.
Os sócios do Mazon Gastronomia, novo nome do Via Babush, mudaram o estabelecimento para Higienópolis, outro bairro da região central paulistana. Lá também servem pizzas, somente à la carte. Pelo menos por enquanto, não reeditaram o rodízio que faziam antes.


Alguns quarteirões acima do Mazon, o restaurante Miki Kosher, na rua Doutor Veiga Filho e pertinho do Shopping Pátio Higienópolis, fez no final de setembro (dia 24) uma noite dedicada ao rodízio de pizzas.
A casa foi aberta no início de 2020 pelo empresário Marcelo Kauffmann. Lá ele pratica a culinária kasher de leite e laticínios e parve (neutro), que inclui peixes e toda diversidade de vegetais – legumes, frutas, verduras, grãos etc.
Pelos valores de R$ 60 e R$ 35, respectivamente, para adultos e crianças de quatro a 13 anos, o rodízio do Miki incluiu batata frita e um potinho de ketchup.
Em relação aos sabores de pizza, Kauffmann colocou todo cardápio no formato – 18 salgadas e duas doces. Destas, quatro coberturas estrearam – requeijão, atum com requeijão, palmito com requeijão e doce de leite com banana e canela.


Outro aspecto bacana daquela noite era a segunda bebida grátis no Double Coquetel e Double Chopp.
Além do fato de ser kosher, o rodízio do Miki tinha outra singularidade: fazer reserva. E eu fiz para mim e meu enteado.
Quando cheguei, por volta das 19h30, a casa estava cheia.
A massa da pizza do Miki, feita com farinha italiana 00 Staggione, estava assada na medida, com bordas ligeiramente altas e chamuscadas – como deve ser. Que gostooooooso!
O molho de tomate estava fabuloso. Colocado na medida, nem pouco nem demasiado, era fresquíssimo, bem temperado e com uma consistência que beirava o rústico. Maravilhoso. Que gostooooooso!


Em relação às coberturas, de um modo geral, me agradaram bastante. Vale o destaque para duas, das mais tradicionais: muçarela e atum. Estavam fantásticas. Que gostooooooso!
A pizza de muçarela estava coberta sem muquiranice, com o queijo bem derretido – e de sabor excelente. Havia ainda azeitonas pretas, das grandes. No geral, maravilhosa. Super recomendo. Que gostooooooso!
Sobre a de atum, o peixe utilizado por lá não vem de lata. Foi a primeira vez em 54 anos de vida, que comi esta pizza, que estava deliciosa e cujo sabor integra meus Top 5, onde o atum não era enlatado.
Num vídeo, exibido no Instagram do Miki, o estabelecimento mostra como prepara o atum para ser usado na pizza: uma peça fresca do peixe é cortada em pedaços, segue para uma panela e só depois da cocção vai para a cobertura da massa para finalizar no forno.
Posso estar enganado, mas creio que praticamente todas as pizzarias paulistanas usam atum enlatado. Então, essa pizza do Miki, de fato, foi uma novidade. Memorável.
O sabor do atum, preparado dessa forma, de fato, estava bastante acentuado. Mil vezes melhor. Que gostooooooso!
Adorei a pizza de atum, servida com bastante cebola. Que gostooooooso!

Em relação aos demais sabores, provei de: alho confitado com muçarela, marguerita, três queijos (muçarela, provolone e requeijão), parmegiana, tomate seco, atum com requeijão e anchova. Das doces, pois não curto muito, apenas a de doce de leite com banana e canela.
Meus comentários sobre as coberturas acima: alho – extremamente saborosa, mas era com alho frito, não o confitado; marguerita – boa, mas poderia ter mais molho pesto, que estava ótimo; três queijos – bem derretidos e com pedaços esparsos de cebola, que caíram super bem, adorei; parmegiana – rodela de berinjela ao forno temperada em cima da muçarela, teria “cara” de parmegiana se levasse o molho de tomate em cima da muça e da berinjela e, se esta, levasse uma cobertura do mesmo ou outro queijo; tomate seco – em cima da muçarela e muito boa e mais uma prova que o ingrediente voltou com tudo em São Paulo; atum com requeijão – muito boa; anchova – ficou boa com muçarela, mas prefiro sem, ou seja, apenas com molho de tomate e os filés do peixe; e doce de leite com banana e canela – pizza doce não é meu forte, mas gostei dessa.



Para beber, fui na rodada dupla de chopp. Paguei apenas um. Que gostooooooso!
A batata frita pode dispensar, assim como o ketchup – para não incentivar o cliente a colocá-lo na pizza. Mas, é aquela coisa: a tal da Lei de Murphy… Não é que vi um senhor colocando um pedaço no potinho do molho…
Tá, gosto não se discute, mas nessa questão sou firme: ketchup, mostarda e maionese na pizza, não, peloamor.

Vale destacar a alta qualidade dos queijos utilizada nas pizzas.
Aí reside um fato peculiar: Marcelo Kauffmann é, ainda, o próprio e único fornecedor de leite, queijo e outros laticínios para o seu restaurante.
Motivo: com o leite de uma fazenda parceira, ele processa o produto e produz uma linha de produtos no Miki Laticínios, de sua propriedade. Tudo 100% kasher. A fábrica localiza-se na linda Aiuruoca, cidade do Sul de Minas Gerais.

Adorei demais o rodízio. Não me recordo o número de fatias que comi. Pudera… E aí reside outro ponto crucial: de forma alguma fiquei empanzinado, como muitas pessoas dizem para a sensação de ter comido um boi. Credito à boa qualidade da massa.
Espero que o rodízio não seja feito em edições marcadas, mas que entre no calendário permanente do Miki. Estava excelente. Super recomendo esse formato e no à la carte também. Que gostooooooso!
SERVIÇO:
Miki Kosher
Rua Doutor Veiga Filho, 181, Higienópolis, São Paulo/SP
Informações pelo Whatsapp (11) 98791-0065 e pelos tels. (11) 2339-4685/95
www.mikikosher.com
Instagram
















