por CLAUDIO SCHAPOCHNIK_Cucuron, Luberon/FRANÇA*
Ah, conhecer uma feira – como qualquer outra, para comprar gêneros alimentícios – era um dos programas que gostaria demais de fazer na região de Luberon – liberrôn, na pronúncia francesa –, na Provence-Alpes-Côte d´Azur localizada no Sudeste da França.
Isso ocorreu, de modo surpresa – pois, de fato, não imaginava e não esperava –, na encantadora Cucuron. Quem não gosta de uma surpresa bacana?




Depois do passeio pelo lindo vilarejo, com menos de 2 mil habitantes, eu, minha esposa, Mirella, e o simpático motorista Laurent, que passeava conosco pela região a bordo de um super conservado Citroën da década de 1980, da Oh My Deuche!, me deparei com a feira.
“Nossa! Não acredito!”, pensei, entusiasmado até a décima potência com o que via.
Fiquei tão feliz com a feira que devo ter falado em português mesmo, ou num francês macarrônico, com o francês Laurent, para ele me conceder um tempo maior para curti-la. Acho que ele entendeu.
A Mirella já sabia que estava em êxtase e precisava explorar a feira com detalhe.



NA ÁREA MAIS FRESCA
A feira é realizada no entorno do Bassin d´Étang – nome do reservatório de água de um moinho de farinha do início do século 15.
No início dos anos 1800, a prefeitura, já dona do reservatório em formato retangular, plantou árvores no entorno.



Com manutenção impecável, incluindo a poda que deixa intactas as copas, as árvores do início do século 19 são as mesmas que vi naquela manhã de 17 de junho de 2025. Bravo!
Sem dúvida, é o lugar mais sombreado e fresco de Cucuron. Graças à água e às árvores mais que bicentenárias.


TERROIR É FORTE
Acho que fiquei cerca de meia-hora na feira. Observei todas as barracas e o que os feirantes vendiam.
Percebi que muitos dos produtos eram do terroir de toda a Provence – Luberon fica nessa região maior. Também havia produtos de outros terroirs franceses.
Os franceses têm orgulho de seus produtos e de suas receitas. Dessa forma, o povo francês prestigia mesmo – leia-se compra e consome. Está no DNA deles.

Por exemplo, na barraca dos embutidos, que a-d-o-r-o, provei uma fatia dada pelo atencioso comerciante de saucisson de taureau aux olives noires de Nyons (AOC) – salsichão de touro com azeitonas negras de Nyons, em português.
Trata-se de um embutido fabricado na cidadezinha situada na vizinha região da Auvergne-Rhône-Alpes. E que possui o selo de AOC, de Appellation d´Origine Contrôlée – Denominação de Origem Controlada, na versão em português.
Com a AOC, quem compra sabe que esse salsichão é único, só pode ser feito em Nyons. E ponto final.


Acima, duas outras variedades de salsichão (foto Claudio Schapochnik/Que Gostoso!)
Na mesma barraca, o comerciante me ofereceu, e aceitei sempre com o merci (obrigado, em português), fatias de outros de seus embutidos. Nossa… Tudo ótimo. Que gostooooooso! Quel délice!
Também vi lousas, escritas a giz, informando os clientes que cebola, tomate, melão, cereja e haricots verts – a nossa vagem, porém mais fina e alongada; os franceses amam! – são da Provence.

SEM ALGAZARRA
É do ser humano comparar o que ele vê no Exterior com o seu país. Fiz isso com as feiras de São Paulo.
Na feira de Cucuron, quase ouvi o silêncio. Sério. Que gostooooooso! Quel délice!
Não escutei os feirantes falarem alto, muito menos gritarem, ou fazerem brincadeiras para chamar as pessoas para suas barracas.
Numa extensa barraca de verduras e legumes, observei um caminho demarcado feito para organizar a fila dos clientes. Incrível.

Isso já sabia: os feirantes de lá não gostam que o consumidor pegue uma maçã, por exemplo, a apalpe e depois a coloque no lugar. Tocar nos produtos é coisa bem séria. Até de um certo ponto subjetivo por parte do feirante, dá para pegar sem ser repreendido. Mas é algo raro.
Sim, os feirantes franceses cortam pedaços ou fatias de seus produtos e os deixam à prova, em cima de um prato ou de uma tábua. Mas não vi eles enfaticamente oferecerem. Os pedaços de melão, por exemplo, ficam lá e pega quem quer – sem exagerar, claro.
A feira de Cucuron e, imagino, as demais dos vilarejos de Luberon podem ser definidas em apenas uma palavra como comportada.




PROGRAMÃO
Super recomendo conhecer Cucuron no dia de feira da cidade.
É um passeio de conhecimento, de experiência culinária num lugar lindo e super agradável e fresquinho – ainda mais se você for no pré-verão ou no verão, pois Luberon é bastante quente.




No entorno do Bassin d´Étang há bancos para se sentar, e comer algo comprado na feira, e restaurantes para almoçar.
Interessantíssimo. Imperdível.
*O QUE GOSTOSO! viajou em Luberon com apoio do Destination Luberon, representado no Brasil pela CC Hotels, e seguro de viagem Intermac
















