por CLAUDIO SCHAPOCHNIK_Ibiúna/SP*
Ao conhecer pessoalmente Luzita Gomes de Camargo e Aírton Celso de Camargo, o para lá de simpático casal proprietário da queijaria Cabanha Mulekinha – em Ibiúna, a cerca de 70 quilômetros de São Paulo –, senti a paixão deles em relação ao tema.
Depois, ao provar praticamente toda a linha de queijos que o casal faz, no sítio na Zona Rural da cidade, constatei o fato de serem tão saborosos de um modo geral e, alguns, mais ainda, de serem verdadeiras joias super preciosas.
O motivo é que a paixão da Luzita e do Aírton é transferida 100% para toda a cadeia produtiva, ou seja, desde o cuidado com as vacas até a venda dos queijos.
Essa é a receita.
Que gostooooooso!


A Cabanha Mulekinha participa da Região Turística Mananciais, Aventura, Arte e Negócios, integrante da Rota Gastronômica Histórias e Aventuras, Veredas e Mananciais.
A rota, de número 12, integra o maior programa de valorização da gastronomia paulista – o Sabor de São Paulo. Uma iniciativa do Governo do Estado de São Paulo por meio da Secretaria de Turismo e Viagens (Setur-SP), em parceria com o Mundo Mesa – ligado à revista Prazeres da Mesa – e o Senac-SP.
Visitei a queijaria Mulekinha – apelido carinhosamente dado pelo Airton à Luzita – no final de julho de 2025 com o grupo de jornalistas e agentes de viagens do grupo do Sabor de São Paulo.


UM SÍTIO, UMA VACA E A INSPIRAÇÃO ESPANHOLA
Tudo começou em 2010, quando o casal adquiriu um sítio. “Compramos com a finalidade de lazer e descanso e, logo após, compramos uma vaca”, recordou Luzita, que é descendente de espanhóis da região da Galícia – no Noroeste do país. Ela ainda tem familiares por lá.
“Aí me inspirei no meu tio espanhol, Javier, que fazia queijos maravilhosos por lá”, lembrou Luzita, emocionada. “Comecei a fazer queijos e a vender para os amigos, informalmente”, emendou ela.

Depois, definido que seria uma queijeira profissional, foi à luta: estudou e pesquisou bastante.
Isso compreendeu fazer um curso no Instituto de Laticínios Cândido Tostes, em Juiz de Fora (MG), e a visitar queijarias na Galícia e em outras regiões da Espanha.
“Busquei inspiração nas receitas familiares, do tio Javier, e dos vilarejos galegos”, disse ela.

VACAS E LEITE PRÓPRIOS
Atualmente, a Mulekinha tem uma linha com 13 tipos de queijo, sendo oito maturados. Todos são fabricados com leite de vaca da raça jersey.
“As vacas são nossas e, portanto, usamos 100% de leite próprio”, afirmou Aírton, com orgulho. “Tudo o que você dá para o animal, e damos tudo do bom e do melhor, ele te devolve. Isso é maravilhoso. Adoramos nossas vaquinhas.”

CADA SABOR NA DEGUSTAÇÃO…
O casal Luzita e Aírton montou uma mesa linda para o grupo do Sabor de São Paulo provar com todos os queijos que produzem.
A degustação ocorreu no espaço da ampla loja da queijaria, que tem mesas e fica em frente a um açude cheio de peixes.
Lá também são servidas tábuas, sanduíches, bebidas quentes e frias. Dá ainda para comprar outros produtos de parceiros locais.


Em relação aos queijos… Nossa, que gostooooooso! Entre os 13 da atual linha de produção, há macios, com casca florida, mais ou menos maturados, com recheio etc.
Um deles recebeu o nome do tio espanhol da Luzita, Javier. Perguntei para ela se ele chegou a prová-lo. “Infelizmente, não; ele já tinha falecido”, respondeu, com os olhos marejados.

Há um premiado recentemente, o Montanha, autoral. Recebeu o primeiro lugar de um concurso promovido pela CNA/Senar na categoria Adição de Condimentos.
A premiação fez jus. O queijo é muito bom mesmo.



Sobre a comercialização dos queijos, a Mulekinha tem duas certificações: os selos Sisp, válido no Estado de São Paulo, e o Arte, válido em todo território nacional. Portanto, toda a linha pode ser comercializada em todo País.
Em relação ao sabor… Depois da degustação, virei super fã da queijaria. Os produtos são para lá de incríveis. Que gostooooooso!
No meu ranking pessoal, o primeiro lugar foi ocupado pelo Maruja. Produto amanteigado – amo queijos assim. Que gostooooooso!
O Javier, macio pero no mucho; e o Azul da Galícia, salgadinho na medida com os veios azuis, forte e de personalidade, também entraram no meu ranking. Que gostooooooso!

VISITA E CAVE
A Mulekinha recebe visitantes não apenas para a loja e as degustações.
“Aqui temos um tour básico, onde mostramos as vacas, falamos de nossa produção e outros aspectos do mundo do queijo”, explicou Aírton. “Que chegar perto das 16h, aos sábados, vai ver a ordenha”, emendou ele.
Os tours ocorrem sempre aos sábados, 9h às 17h, e domingos, 9h às 12h. Grátis.


Em relação a novos projetos, Aírton revelou à reportagem do QUE GOSTOSO! que a Mulekinha terá uma cave de maturação.
“Está vendo? Vai ser ali, com profundidade de 4 metros a 5 metros”, disse o queijeiro, apontando para um lugar escavado do outro lado do açude. “Vai levar um tempo até ficar pronta, e o projeto está lindo”, finalizou ele.
Recomendo bastante os queijos da Mulekinha. Maravilhosos. Que gostooooooso! Sugiro ainda a visita à loja para compras e um dedo de prosa com a Luzita e o Aírton. Você vai ver a aura da paixão e o brilho nos olhos do casal quando ambos falam de sua atividade. É contagiante.
*O QUE GOSTOSO! viajou a convite da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP), em parceria com o Mundo Mesa e Senac-SP
SERVIÇO:
Cabanha Mulekinha
Rodovia Júlio Dal Fabro, Km 14,5, Vargem do Salto, Ibiúna/SP
Tel./Whatsapp: (15) 99754-4455 / (15) 99827-4552
Horário: terça a sexta, 9h às 12h e 14h às 17h; sábado, 9h às 17h; e domingo, 9h às 14h
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