por CLAUDIO SCHAPOCHNIK
No mês que é celebrado o Dia Nacional da Imigração Judaica, comemorado dois dias atrás, o Governo de São Paulo, por meio da Secretaria de Turismo e Viagens (Setur-SP), lançou hoje (quinta, 20/3) o Guia Turístico Judaico do Estado de São Paulo.
O lançamento ocorreu durante a tarde na sede da Setur-SP, na Praça Ramos de Azevedo, no centro da capital paulista.
O evento contou com as presenças do vice-governador do Estado de São Paulo, Felício Ramuth; do titular da Serur-SP, Roberto de Lucena; da coordenadora de Turismo da Setur-SP, Ana Cristina Clemente; do presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp), Marcos Knobel, do diretor do Memorial do Holocausto e da Imigração Judaica, rabino Toive Weitman; do diretor executivo do Museu Judaico de São Paulo, Felipe Arruda; do rabino Sany Sonnenreich; e do diretor-presidente do Memorial da América Latina, Pedro Mastrobuono; entre outros convidados e convidadas.

INFORMAÇÃO E IDIOMAS
Ilustrado com alguns tons de azul e poucas fotos, o Guia Turístico Judaico do Estado de São Paulo tem formato retangular, 42 páginas e 59 equipamentos listados.
A publicação traz diversas informações ─ pequena descrição, endereço, telefone, site, e-mail e redes sociais ─ dos 59 equipamentos, que estão divididos em sete categorias. Confira: atrativos (17), restaurantes (18), mercearias e açougues (14), esportivo (um), lojas, livrarias e suvenires (três), serviços (três) e locais públicos para oração (três).
O guia foi lançado primeiramente em dois idiomas: português e hebraico. As duas versões podem ser lidas e baixadas, em PDF, gratuitamente no site da Setur-SP (no final do texto estão os links).
“O guia deverá receber atualizações nos próximos meses”, diz o secretário de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo, Roberto de Lucena.
“Nossa secretaria vai ainda traduzi-lo para o inglês e o espanhol”, completa Lucena, destacando a importância da publicação não apenas ao público interessado ─ judaico ou não ─, mas ao mercado do turismo como operadoras de turismo, agências de viagens, receptivos e guias de turismo que atuam no Brasil e no Exterior.
“O guia judaico faz parte de um projeto aqui da secretaria, o Programa de Turismo Religioso Paulista, que visa promover a diversidade religiosa no nosso Estado”, explica a coordenadora de Turismo da Setur-SP, Ana Cristina Clemente. “Já lançamos os guias católico e evangélico”, recorda ela.

NÃO AO ANTISSEMITISMO
“Mas do que uma publicação, o guia que lançamos agora é carregado de simbolismo: o Estado de São Paulo não tolera o antissemitismo e a discriminação”, afirma Lucena, que é evangélico.
“Os evangélicos têm uma relação espiritual e afetiva com o povo de Israel e o Estado de Israel”, emenda o secretário.
“Vale destacar que o governador Tarcísio de Freitas aderiu em 2024, em nome do Estado de São Paulo, à definição de antissemitismo da IHRA, a Aliança Internacional para a Memória do Holocausto”, destaca o vice-governador paulista, Felício Ramuth, que foi aluno do antigo Colégio Bialik, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo.
“Ainda mais nesse momento, o melhor antídoto para lutar contra antissemitismo é a educação”, salienta o diretor executivo do Museu Judaico de São Paulo, Felipe Arruda.

“O Estado de São Paulo recebeu de braços abertos judeus e judias de várias partes do mundo. Meus pais formaram sua família no interior, na cidade de Marília, e depois vieram para a capital. Hoje o Estado é o lar de cerca de 60 mil judeus e judias”, conta o presidente da Fisesp, Marcos Knobel. “São Paulo é um exemplo para o mundo, pois aqui [pessoas de várias origens, credos, etnias etc] vivem em paz e harmonia”, enfatiza Knobel.
Sobre o guia turístico judaico, Knobel disse que muita gente da comunidade judaica vai se surpreender. “Há lugares que muita gente ainda não conhece”, sugere ele, indiretamente, a leitura atenta da publicação.
ANÁLISE DO GUIA
A publicação do Guia Turístico Judaico do Estado de São Paulo é uma iniciativa louvável.
A obra do governo paulista tem a parceria de várias entidades judaicas, como a Fisesp, o Museu Judaico de São Paulo e o Memorial do Holocausto e da Imigração Judaica.
Que o guia seja bastante “baixado” e utilizado por pessoas judias e não judias.
Que bom que a publicação em português e hebraico será editada em mais duas línguas ─ espanhol e inglês. Crucial.
Que ótimo que também vai ganhar uma atualização. Importantíssimo.

Senti a falta, gigante, de ver o maior clube judaico do mundo ─ A Hebraica ─ numa página do guia.
O clube sedia importantes competições esportivas e atividades culturais de grande relevância em uma galeria de arte e dois teatros. Alguns desses eventos, que ótimo!, são abertos (pagos ou gratuitos) aos não-sócios ─ como é o meu caso.
Na área de gastronomia/mercado, super bacana ver tantos estabelecimentos listados ─ kosher (que seguem as normas alimentares do povo judeu) ou não.
No entanto, faltaram o Net Drinks (mercado judaico não kosher com unidades nos bairros paulistanos de Higienópolis e Pinheiros); a AK Deli (mercearia e restaurante não kosher, no Alto de Pinheiros); o Jaffa (restaurante vegano de comida israelense, em Santa Cecília); e o Mazon (mercado e restaurante kosher em Higienópolis, aberto em 2024).
Faltou ─ como assim?!?! ─ o Falafel Malka. A casa foi fundada pela, de fato, Rainha do Falafel (a palavra hebraica malka significa rainha em português): a fofa, a queridíssima, a talentosa cozinheira aposentada e nonagenária dona Malka Levy.
O restaurante Falafel Malka, não kosher, tem como carro-chefe o falafel na pita ou no prato e funciona há décadas numa galeria comercial na Zépa ─ como muitos na comunidade judaica chamam a Rua José Paulino, principal artéria de comércio de roupas (atacado e varejo), frequentada por gente de todo o País, do Bomra. Este é o apelido judaico do bairro mais multiétnico de São Paulo, o amado Bom Retiro do meu coração ─ ainda que seja um jornalista judeu orgulhoso de ter sido criado na Casa Verde, na Zona Norte da cidade.

Faltou ainda, que eu me lembre, o estabelecimento caçula: a Padaví, primeira boulangerie (padaria francesa) kosher de São Paulo, localizada em Higienópolis e aberta no último dia 6 deste mês de março. Talvez pela data, seguramente não iria entrar nessa primeira edição do guia.
Guias são assim: precisam sempre ser atualizados. Ótimo que a Setur-SP fará esse fundamental trabalho.
Em termos geográficos, o guia é basicamente paulistano. Sim, há outras cidades, mas são pouquíssimas ─ São Roque, Embu das Artes e Cubatão, por exemplo.
Senti falta da Praça Jerusalém, no Bom Retiro, uma referência à capital do Estado de Israel. Uma pena que a pequena praça, em termos de conservação e limpeza, esteja anos-luz da importância e grandeza do nome que leva.
Por fim, a Praça Cinquentenário de Israel, no Pacaembu ─ citado corretamente no texto ─ saiu com o endereço errado: de outro bairro, o da Barra Funda. Também poderia estar bem melhor conservada.
Repito: ótimo que haverá uma atualização do guia para os devidos acertos.
Repito: o Guia Turístico Judaico do Estado de São Paulo é uma iniciativa louvável. Parabéns aos envolvidos.
Para ler e/ou baixar o guia em português, clique aqui; e em hebraico, clique aqui.
NOTA DA REDAÇÃO: texto atualizado em 21/3/2025, às 14h50









