por CLAUDIO SCHAPOCHNIK
Nunca é tarde para fazer descobertas pessoais gastronômicas. Foi o caso da Leiteria Ita, no centro de São Paulo, pertinho do Largo do Paissandu. Sem dúvida: o melhor do local é o feijão com arroz. Que gostooooooso!
O estabelecimento fica na nada aprazível Rua do Boticário, de um quarteirão apenas e que, até então ─ se não me falhe a memória ─, a percorri pela primeira dias atrás, exatamente em 27 de março (Dia Nacional do Grafite), com meus 55 anos! E olha que já andei, atualmente nem tanto, bastante pela região dessa rua, que une a Avenida Ipiranga ao Largo do Paissandu.
Sim, já havia lido uma coisa ou outra sobre a Leiteria Ita ─ ou Pedra, se fosse lida em tupi-guarani. Mas nunca me programei para ir lá.
Ao ler a diminuta placa que identifica o local, inconscientemente, lembrei do meu querido pai, Edison. Motivo? Papai foi quem me apresentou ao idioma tupi-guarani quando era criança. Ele utilizou o exemplo do Banco Itaú.


“Claudinho, sabia que o nome do banco, o Itaú, significa pedra preta em tupi-guarani?”, disse-me o Schapozão décadas atrás. Na época, o logo da instituição bancária era preto e branco. Saudade infinita do papai…
Bem, entrei na rua do Boticário à esquerda vindo da Avenida Ipiranga para averiguar se havia grafites nas paredes por lá. E achei, sim, uma pintura por lá, quase em frente à Leiteria Ita. O relógio marcava 11h45. Pronto: foi o gatilho pra almoçar por lá.

BALCÃO ENORME
Como escrevi acima, a placa que identifica a Ita é bastante pequeno. Na mesma está escrito: “Comida Caseira desde 1953”. Então aí se passaram 72 anos… Uau!
Por dentro, o amplo salão tem um balcão enorme ─ não há mesas. Sei lá, comporta 30, 40 pessoas.

Os preços dos pratos e as opções do dia estão espalhadas pelas duas paredes.
Entrei na Ita às 11h50 e já havia gente almoçando. A dica lá é chegar cedo. Caso contrário, vai precisar esperar. A leiteria é bem procurada.
MEU ALMOÇO
Passei os olhos pelas duas paredes e bati o martelo no prato de lombo (suíno), arroz, feijão e batata frita. Valor: R$ 28. Não pedi bebida.
O prato chegou dividido em dois: o com arroz com feijão ─ o primeiro enformado e o segundo ao lado ─ e o com o lombo, na forma de bife, e as fritas.
Já tinha pegado o vidro de pimenta caseira, feita com a malagueta vermelha. Tudo pronto para iniciar os trabalhos.
ESSE FEIJÃO COM ARROZ…
Nossa, o melhor do meu almoço foi, sem dúvida, a dupla mais amado do povo brasileiro: o feijão com arroz. Que gostooooooso!
O arroz estava bom e numa boa quantidade. E o feijão… Maravilhoso! Era do tipo carioca ─ ou carioquinha ─, bem cozido sem desmanchar e bastante saboroso. Que gostooooooso!

Meu pai, que me apresentou à cultura de comer pratos comerciais em bares, butecos e restaurantes, e que foi implantada com sucesso na minha mente para sempre, se estivesse junto iria soltar a frase: “Ah, que feijão mais lindo!”.
Papai sempre elogiava o feijão, também carioca, feito pela minha amada e saudosa mãe, Eva, que foi uma maravilhosa cozinheira, com essa frase acima, acrescida do nome dela no diminutivo: “Ah, Evinha, que feijão mais lindo!”.
Mamãe temperava o feijão com alho, cebola, folhas de louro e bacon. As vezes, para o deleite do papai, ela colocava pedaços do osso da canela do boi para cozinhar junto na panela de pressão.
Adorava ver aquele ritual do Schapozão. Ele pegava o osso, punha no prato e, com a faca, empurrava todo o tutano. “Aqui é que tá a energia!”, ele comentou uma vez. Depois misturava bem com o feijão e colocava o arroz. E comia com tanto gosto soltando mais frases elogiosas à mamãe. Eita, quantas saudades deles dois e desses momentos!
Não vi no feijão do Ita alho, cebola, bacon ou louro, mas que estava bem temperado, estava. Que gostooooooso!
A pimenta estava boa, ainda que fraca.


Já o bife de lombo… Não curti. Estava seco. Estava ainda muito fino. Parece que o bife foi obtido num cortador de frios marcado para sair com a menor espessura menor possível.
Essa característica, de bifes tão fininhos, infelizmente, é corriqueira nos bares, butecos e restaurantes. Pena.
As fritas estavam boas, mas poderiam vir numa quantidade maior.

Sem dúvida, o melhor do meu almoço, de longe, foi o feijão com arroz.
Durante o almoço, vi passar alguns pratos do espagueti. Sedutor!
Sim, pretendo voltar à Leiteria Ita. Como da primeira vez, cedo, antes do meio-dia. O arroz e feijão estarão presentes. Espero ter mais sorte quanto à proteína.
SERVIÇO:
Leiteria Ita
Rua do Boticário, 31/35, Centro, São Paulo/SP
















