05/06/2026

Uvas incomuns: de coadjuvantes a protagonistas

Uvas incomuns: de coadjuvantes a protagonistas

por Lucia Grimaldi*

Olá, internautas amantes do vinho! Todos com saúde? Espero que sim!

No clima do último artigo, em que falei sobre vinhos exóticos, hoje quero apresentar a vocês alguns vinhos elaborados com uvas um tanto quanto incomuns, no sentido de que são menos populares que as famosas protagonistas Cabernet Sauvignon, Merlot e Chardonnay, entre outras estrelas. De coadjuvantes, alçaram papéis principais em vinhos, no mínimo, surpreendentes. Que tal?

Pecorino: a uva com nome de queijo
Quem nunca viu uma receita de uma massa à carbonara que tinha como ingrediente o queijo pecorino? E qual não foi a minha surpresa ao procurar um vinho da região italiana de Abruzzo, mais especificamente da Província de Chieti, onde nasceu o meu avô, me deparei com a uva branca “pecorino”. É uma casta autóctone italiana (ou seja, nasceu ali mesmo) e leva este nome porque o cultivo se dá em áreas de criação de ovelhas, que em italiano recebe o nome de “pecora”. Daí também o nome do queijo pecorino, feito com o leite de “pecora”.

Vinho Tor Del Colle Pecorino, no www.evino.com.br (fotos Lucia Grimaldi)

Provei o vinho Tor de Colle, um vinho muito refrescante, com acidez elevada, ideal para o verão, e notas de frutas brancas, como pera e maçã, e cítricas, como lima e casca de laranja, além de flores brancas. Seus delicados toques minerais de sílex conquistaram o meu coração.

Detalhe do tom amarelo claro brilhante do vinho Tor Del Colle, no www.evino.com.br

Muscat Petit Grain: quando tamanho não é documento
Todo mundo conhece o vinho moscatel. Mas sabia que o nome moscato, na verdade, se refere a uma antiga e grande família de uvas, com cerca de 200 castas diferentes, brancas e tintas, como a moscatel, a muscat, a moscato gialo, a moscato de Alexandria e a muskateller. Com origens que remontam o Egito e a Grécia antigos, a moscato produz vinhos muito aromáticos, com destaque para uvas maduras, damasco, mel e flor de laranjeira. Estudos sugerem que a uva matriarca seria a muscat à petit grains, uma casta branca de bagos bem pequenos, daí o nome, e cachos densos.

Vinhedo de Petit Grains no Vale das Colinas, em Garanhuns/PE

Em visita ao Vale das Colinas, na cidade de Garanhuns, no Agreste pernambucano, onde há um cultivo recente de uvas Muscat à Petit Grains, entre outras variedades, provei o vinho Dona Cecília, um varietal desta casta. É um vinho jovem, fresco, levemente aromático, cuja vinificação é feita no município de Petrolina.

Vinho Vale das Colinas Dona Cecília 2020

Moscato Giallo
A moscato giallo, ou muscat amarela, é uma variedade da família moscatel com cultivo predominante na região Norte da Itália e produz excelentes vinhos de sobremesa, graças ao potencial dulçor. Degustei um vinho varietal desta casta, produzido em Alto Feliz, na Serra Gaúcha, muito refrescante e aromático, com notas de frutas tropicais como melão, abacaxi e maracujá maduros, além de mamão papaia e flores brancas.

Vinho Don Guerino Sinais Moscato Giallo 2020, no www.donguerino.com.br

Moscato de Alexandria
A uva moscato de Alexandria é uma variedade originária da cidade de Alexandria (claro!), à beira do majestoso rio Nilo, no Egito. Diz-se até que a famosa rainha egípcia Cleópatra degustava vinhos moscatel. Hoje também é cultivada predominantemente no Norte da Itália, mas no Brasil, a Vinícola Cristofoli produz um belo varietal em Bento Gonçalves (RS).

Diferente dos anteriores, tem acidez elevada, mas bastante equilibrada, com uma nota untuosa apaixonante. É um vinho fresco, com aromas delicados e sabores de maracujá, pêssego fresco, mamão papaia, mel e alecrim.

Vinho Cristofoli Moscato de Alexandria 2019, na www.vinhoscristofoli.com.br

E o belo rótulo, que traz um inseto estilizado, é referência ao fato de as uvas moscatel atraírem abelhas e moscas “musky” devido ao dulçor marcante.

No alto e acima, detalhes do belo rótulo do vinho Cristofoli Moscato de Alexandria

Grüner Veltliner
A Áustria é reconhecidamente o berço da valsa, todos sabemos. Mas sabiam que o país também produz vinhos excelentes? E a uva branca Grüner Veltliner é uma das mais cultivadas na nação do Centro da Europa. Muito versátil, produz desde vinhos frutados e refrescantes a tipos mais complexos, com grande potencial de guarda. Provei o vinho Grüner Veltliner Qualitätswein 2018, da tradicional vinícola austríaca Lenz Moser. De acidez elevada, aromas e sabores de frutas cítricas, como abacaxi e maracujá mais verdes, e toques minerais, pode ser apreciado sozinho ou com entradas e pratos leves.

Acima e abaixo, o vinho Lenz Moser Grüner Veltliner Qualitätswein 2018, no www.evino.com.br
Uvas incomuns: de coadjuvantes a protagonistas

Furmint
Quem pensa que a Hungria é apenas um país de grande riqueza histórica vai se surpreender ao saber que também é um dos maiores produtores de vinhos, e maravilhosos diga-se de passagem, do Leste Europeu.

O vinho Pajzos T Tokaj 2015, no www.wine.com.br

A casta Furmint é a responsável por este vinho húngaro branco, da vinícola Pajzos. É meio seco, mas com boa acidez, e aromas de frutas cítricas e brancas, como pêssego, nectarina, lichia e abacaxi. O que mais me chamou a atenção foram as notas de mineralidade, que me lembrou um Chablis, muito bem integradas com os toques de amêndoas. Um vinho muito gastronômico, que vale a pena provar.

Detalhe da cor amarelo claro brilhante do vinho Pajzos T Tokaj 2015

Glera: a uva do Prosecco
Conhecem a uva Glera? Provavelmente dirão que não, mas posso garantir que conhecem, sim! É a uva que produz o famoso espumante italiano Prosecco, uma respeitada Denominação de Origem Controlada e Garantida (DOCG) localizada na região Nordeste da Itália, mais especificamente no Vêneto e na Friuli Venezia Giulia. Da Família Valduga, tradicional produtora brasileira de espumantes do Vale dos Vinhedos (RS), o premiado Ponto Nero Glera, é um espumante brut muito bem elaborado, com aromas cítricos e notas florais, perlage rico, suculento e refrescante na boca. Fácil de encontrar nas redes de supermercados, tem um excelente custo benefício.

Espumante Ponto Nero Live Celebration Glera, no https://loja.famigliavalduga.com.br

O mundo dos vinhos tem vastos caminhos a serem explorados. E os últimos tempos nos mostraram o quanto é preciso explorar o novo, reinventar caminhos e sair do lugar comum… Que tal começar degustando vinhos de uvas diferentes? Enoaventurem-se e contem pra gente!

Um brinde!

*Lucia Grimaldi, colunista do Que Gostoso!, é graduada e pós-graduada em fonoaudiologia e direito e possui a certificação internacional Wine & Spirit Education Trust (WSET) nível 2. Contatos: grimaldipervino@gmail.com e o @grimaldipervino

6 Comments

  1. Sheyla Gomes
    20th fev 2021 Reply

    Mais um excelente texto de Lúcia Grimaldi.
    Como bem disse” o mundo do vinho tem vastos caminhos a serem explorados” e a nova ordem mundial é de fato reinventar-se em todos os sentidos.
    Obg por nos mostrar novos caminhos e possibilidades nesse universo tão rico!
    Um brinde a Vida🍷👏

  2. ALCIONE MARTINS DA SILVA
    20th fev 2021 Reply

    Parabéns mais uma vez Lúcia! Um texto maravilhoso para nos apresentar essas uvas tão pouco conhecidas. Adorei!!!

  3. Adriana Moura
    20th fev 2021 Reply

    Adorei o texto! Um convite à enoaventura, proposta pela autora. Parabéns, Lucia!

  4. Julieta Japiassú
    20th fev 2021 Reply

    Show. Essa Lucia Grimaldi me faz viajar pelo mundo e sabores das uvas. Uma delícia de texto!!!

  5. Kdanda
    21st fev 2021 Reply

    Parabéns Lúcia!
    Como sempre nos presenteando com matérias excelentes!
    Um brinde!

  6. Cinara
    22nd fev 2021 Reply

    Muito interessante ,quanto mais conhecemos o mundo dos vinhos mas temos certeza que a muito a aprender, um brinde a essa bebida que carrega em sua essência sempre uma peculiaridade e muita história ,parabéns .

Leave a comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Isto é tudo!