por CLAUDIO SCHAPOCHNIK, Angostura_Região do Libertador General Bernardo O´Higgins/CHILE*
Vinhedos, bodega, coleção de automóveis antigos, winebar, hotel-butique, loja, degustação de vinhos, cavalos, polo e restaurante. Tudo isso está presente na prestigiosa Viña Casa Silva. A propriedade fica no município de Angostura, no Valle de Colchagua e a apenas 55 quilômetros ao Sul da capital do Chile, Santiago.
A visita à vinícola, como a que fiz, junto com outros profissionais de uma presstrip, no início do mês passado, foi uma experiência eclética e cheia de história.




A saga da Casa Silva começa 1887, com a chegada ao Chile, com 22 anos, de Emilio Bouchon Poitvin. Ele veio da região de Bordeaux – uma das áreas vitivinicultoras mais renomadas do mundo –, na França, para trabalhar como enólogo e viticultor de uma importante vinícola de Santiago.
No início do século 20, Poitvin e seus filhos iniciaram a produção própria de uva e vinho. Os vinhedos ficavam onde está hoje a Casa Silva.




Até a família Silva ser a dona da vinícola, seis gerações do casal Emilio Bouchon Poitvin e Germana Fauré viveram na casa-sede da empresa – depois transformada em hotel-butique.
Na década de 1970, Mario Silva Cifuentes, casado con María Teresa Silva Bouchon, da quarta geração da família franco-chilena, decidiu investir para recuperar os vinhedos da família Bouchon. Nessa fase, a propriedade foi grande produtora de vinhos a granel para outras engarrafadoras e exportadoras do Chile.
Cerca de 20 anos mais tarde, em 1997, a família Silva decidiu produzir vinhos finos e os engarrafar. Ou seja: dominar toda a cadeia da bebida com um marca também sua.




Empresa 100% familiar, a Viña Casa Silva é, ainda, provedora de 80% da energia que consome – e esta vem do sol.
“Nossa colheita é manual e noturna”, contou o sommelier e guia de turismo da Casa Silva, o brasileiro Digo Peres Ávila. “Duas marcas icônicas da vinícola são as linhas Doña Dominga e Reserva”, emendou ele.
Antes da degustação e após a explicação da parte história da vinícola, Ávila guiou o grupo pela bodega, com as enormes cubas de concreto, que armazenam vinhos prontos; e pela sala onde ocorre a fermentação nas barricas de carvalho estadunidense e, sobretudo, francês.


Na estrutura da Casa Silva ainda há espaço para outra paixão da família: carros antigos. Há cerca de 20, um do lado do outro. “É de uso exclusivo dos Silva, que não empresta nem aluga para, por exemplo, uma produtora que faria um filme de época”, sublinhou o guia. “E todos os veículos estão com a manutenção impecável, leia-se aptos a rodar, e com a documentação em dia.”



O Winebar da Casa Silva, todo de madeira, dá vista para uma das salas com barricas de vinho. Aberto ao público, serve os vinhos da vinícola, pizzas e petiscos.
Perto do Winebar fica o charmoso Hotel Boutique Casa Silva, que foi a casa da família franco-chilena que desenvolveu o negócio do vinho por lá. Depois de passar por uma modernização, a antiga residência oferece sete quartos, piscina e uma sala de estar com lareira, entre outros serviços. As diárias começam em US$ 230 para duas pessoas incluso o café da manhã.




Depois desse amplo e diverso tour, Ávila iniciou a degustação de quatro rótulos: os brancos Cool Coast Sauvignon Blanc 2023 e Cool Coast Chardonnay 2022 e os tintos Casa Silva Carménère 2022 e Casa Silva Cabernet Sauvignon 2022.

“Ambos os brancos vêm de vinhedos próximos do Oceano Pacífico e produzidos em tanques de aço inoxidável”, destacou ele.
“O Cool Coast Sauvignon Blanc 2023, com 13,5% de álcool, é bem intenso; e Cool Coast Chardonnay 2022, com 14% de álcool, é refrescante e tem notas de frutas tropicais”, revelou.



Em relação aos tintos, produzidos em tonéis de carvalho francês, “o Casa Silva Carménère 2022 tem 14,5% de álcool e é bem elegante; e o Casa Silva Cabernet Sauvignon 2022, vai muito bem com carnes, como ossobuco”, comentou Ávila.
Dos quatro rótulos, particularmente, o Cool Coast Sauvignon Blanc 2023 me atraiu mais. Fresco e delicioso na boca. Que gostooooooso!

Após a degustação, a Casa Silva ofereceu o almoço no lindo Restaurante Club House. O lugar é vizinho do campo de treino de polo.
Quando cheguei ao Club House uma linda bruma se dissipava em meio à copa das árvores. Uma imagem que ficou na memória e na foto que registrei a mesma.



O restaurante tem uma grande sala, com lareira, e as paredes com decoração relativa a esportes com cavalos. A mesa do grupo foi reservada num salão contíguo e com vista para o gramado de polo, onde a bruma acabou por desaparecer.
O menu, previamente fechado, contemplou duas entradas – bolinho de queijo e empanada de charque – e um prato principal, que podia ser peixe (salmão) ou bife de chorizo assados na parrilla. Como acompanhamentos: batata frita, pastel de choclo, quinoa e salada. Para beber, claro, os deliciosos vinhos da Casa Silva.
As entradas estavam bastante saborosas e chegaram bem quentes à mesa: bolinho bem recheado e com o queijo elástico, que derreteu mesmo. Que gostooooooso! A empanada, uau, de charque, sabor exótico e bom. Que gostooooooso!




Em relação à proteína, pedi o bife de chorizo. E o bife, alto, chegou bem suculento, temperado apenas com sal e como pedi: ao ponto para menos. Que gostooooooso!
Comi a carne com batata frita, crocantes e sequinhas, e pastel de choclo, que, apesar de ser coberto com açúcar, me agradou. Que gostooooooso!




Tudo isso harmonizado com os rótulos da Casa Silva. Foi um final de visita nota dez, com louvor nesta linda vinícola do Chile. Super recomendo o tour, a degustação e o almoço.

Para saber mais informações, clique aqui.
*O QUE GOSTOSO! viajou a convite de Wines of Chile e Valle Nevado Ski Resort, com seguro de viagem da Intermac Assistance









