por CLAUDIO SCHAPOCHNIK, Palmilla_Região do Libertador General Bernardo O´Higgins/CHILE*
A visita à Viña Maquis, na cidade de Palmilla – distante cerca de 180 quilômetros ao Sul de Santiago, a capital chilena, no famoso Valle de Colchagua –, ficou marcada, além dos excelentes vinhos, pelo frio.
Motivo: pela sensação de uma temperatura seguramente abaixo de zero, chegando até os ossos, produzida pelo vento que o pessoal da presstrip, da qual fazia parte, sentiu ao caminhar junto à margem do Chimbarongo. A casa onde ficam a loja e as salas de degustação da vinícola fica pertinho do leito deste rio.
Tanto que o sommelier e guia da Maquis, Fernando Gac, ofereceu mantas para a caminhada antes da degustação na sala quentinha.
Foi muito providencial o uso da manta na curta caminhada junto ao rio e em frente ao vinhedo de Carménère.



Ter dois rios – o outro é o Tinguiririca; que não tem jeito por causa do som: o associo ao humorista cearense Tiririca (rs) – cruzando a propriedade da Viña Maquis faz diferença gigantesca, assegurou Gac. “As raízes das vinhas absorvem a água, e não há irrigação nos vinhedos; exceto no de Cabernet Franc”, explicou ele, que deixou Santiago para viver na tranquilidade do campo após trabalhar por 20 anos como sommelier em diferentes restaurantes da capital chilena.
“A vitivinicultura aqui na Maquis é, orgulhosamente, sustentável. Fazemos inclusive o controle biológico das pragas”, destacou o sommelier.


Os rios Chimbarongo e Tinguiririca têm ainda outro importante papel nos vinhos da Maquis, como explica um texto no site da vinícola reproduzido abaixo.
“A viña está localizada no coração do Valle de Colchagua, entre os rios Tinguiririca e Chimbarongo. Ambos funcionam como corredores para as brisas costeiras que protegem as vinhas das geadas durante a primavera e das altas temperaturas no verão. Estas brisas têm um efeito muito importante durante o verão, pois conseguem baixar as temperaturas nas vinhas entre 2 a 3°C, o que permite obter vinhos de grande intensidade aromática, frescura, vibrantes no paladar e com um menor teor alcoólico.”
Realmente o mundo do vinho é fascinante. Que gostooooooso!


Depois do curto passeio, voltei com o grupo da presstrip para a tão aguardada degustação liderada por Gac. O local é uma sala numa casa construída em 1850 e guarnecidas por três palmeiras das Canárias – bem altas e lindas.
Os quatro rótulos provados foram: Maquis Rosé e os tintos Maquis Viola, Maquis Franco e Calcu Futa. Também foi provado o azeite de oliva produzido pela vinícola, em cuja propriedade as oliveiras têm 115 anos.
“O Maquis Rosé tem notas, entre outras, de pomelo [espécie de laranja], e cor de casca de cebola”, avaliou o sommelier. Adorei esse vinho, que maturou por seis meses nas barricas. Que gostooooooso! “O Maquis Viola, ícone da vinícola, passou por 24 meses nas barricas e é um blend de 94% de Carménère e 6% de Cabernet Franc.”


Assim como o Maquis Franco, o Maquis Franco “também passou por 24 meses nas barricas e é um blend de 94% de Carménère e 6% de Cabernet Franc”.
Por fim, o Calcu Futa é um blend de 88% de Syrah e 12% de Cabernet Franc. “É um vinho intenso, combina bem com produtos de charcutaria”, assegurou Gac. Apreciei muito esse rótulo. Que gostooooooso!


Segundo o sommelier, a Viña Maquis produz um milhão de litros de vinho por ano. “Cerca de 50% da produção é consumida aqui mesmo no Chile.”



Além de vinhos saborosos, outro aspecto que me chamou a atenção da Maquis é o altíssimo nível dos desenhos que ilustram vários dos rótulos.
Perguntei a Gac quem é a pessoa tão talentosa que assina essas aquarelas. É o artista chileno Salvador Amenábar, de 51 anos. Uau! O cara é bom pra caramba.
Amei a aquarela do rótulo o vinho Futa Cabernet Sauvignon 2015, onde Amenábar retratou a cabeça de um cabrito.

Por fim, preciso falar sobre a história da Maquis. A propriedade está associada à pioneira produção de vinho onde é hoje o Chile. Os primeiros vinhedos foram cultivados pelos jesuítas, que ali chegaram no século 17 durante a colonização espanhola. Havia a necessidade de fabricar vinhos para uso religioso para a ordem e evangelizar os indígenas.
Com a expulsão dos jesuítas, em 1777, a terra teve outros donos. No século 19, os proprietários foram dois ex-presidentes do Chile – Federico Errázuriz Zañartu (1825-1877) e Federico Errázuriz Echaurrren (1850-1901).
Em 1916 a Viña Maquis foi comprada pela família Hurtado – e segue dona.

Adorei a visita, a degustação e o conhecimento e a simpatia do sommelier Fernando Gac. Super recomendo a Viña Maquis. Que gostooooooso!
Para saber mais informações sobre a vinícola, clique aqui; e para atividades de enoturismo, aqui.
*O QUE GOSTOSO! viajou a convite de Wines of Chile e Valle Nevado Ski Resort, com seguro de viagem da Intermac Assistance









